A Sunamita (Ouro ou Azeite? Parte 2)
* Continuação do Artigo “Ouro ou Azeite”
Quando foi que Deus tomou alguma coisa de alguém? Tomou de Abraão? Tomou de Davi? De Salomão? Também nunca tomou a mim! O que o Senhor nos pede é a matéria prima para o nosso milagre. Nós sabemos o potencial de Deus, mas muitas vezes não estamos preparados para receber esse potencial.
No Livro de 2 Reis, capítulo 4, versos 8-17, vemos a história da mulher Sunamita, que ao contrário da esposa do discípulo, se antecipou em oferecer dádivas ao homem de Deus. Abriu as portas da sua casa para dar pão e água, construiu um quarto para o profeta se abrigar e ainda mobiliou o quarto com seu melhor. Sua atitude chamou a atenção de Deus e do profeta, sem fazer nenhuma petição. Veja as diferenças entre a viúva (Esposa do Discípulo) e esta Sunamita.
“Certo dia, passou Eliseu por Suném, onde se achava uma mulher rica, a qual o constrangeu a comer pão. Daí, todas as vezes que passava por lá, entrava para comer. Ela disse a seu marido: Vejo que este que passa sempre por nós é santo homem de Deus. Façamos-lhe, pois, em cima, um pequeno quarto, obra de pedreiro, e ponhamos-lhe nele uma cama, uma mesa, uma cadeira e um candeeiro; quando ele vier à nossa casa, retirar-se-á para ali. Um dia, vindo ele para ali, retirou-se para o quarto e se deitou. Então, disse ao seu moço Geazi: Chama esta sunamita. Chamando-a ele, ela se pôs diante do profeta. Este dissera ao seu moço: Dize-lhe: Eis que tu nos tens tratado com muita abnegação; que se há de fazer por ti? Haverá alguma coisa de que se fale a teu favor ao rei ou ao comandante do exército? Ela respondeu: Habito no meio do meu povo. Então, disse o profeta: Que se há de fazer por ela? Geazi respondeu: Ora, ela não tem filho, e seu marido é velho. Disse Eliseu: Chama-a. Chamando-a ele, ela se pôs à porta. Disse-lhe o profeta: Por este tempo, daqui a um ano, abraçarás um filho. Ela disse: Não, meu senhor, homem de Deus, não mintas à tua serva. Concebeu a mulher e deu à luz um filho, no tempo determinado, quando fez um ano, segundo Eliseu lhe dissera.” (2 Rs 4:8-17)
Você pode até dizer: Ah, mas ela era rica, por isso ofertou sem pedir nada… Ora, quanto custa um pão? E água? E mesmo sendo acessível a todos, quantos não tem coragem de ofertar a um estranho e fazê-lo comer dentro da sua própria casa?! O mais importante é que, mesmo sendo de outro povo, ela desejava conhecer a Deus, O viu através do testemunho de Eliseu, foi tocada pelo Senhor para apoiar aquele servo e se deixou usar por Ele. Porque entre ser tocado(a) e obedecer, há um abismo. Inúmeras vezes somos tocados por Deus, mas quantas, realmente obedecemos Sua voz???
A situação daquela viúva tem se repetido constantemente nos dias de hoje, as pessoas só lembram de Deus nos momentos de desespero, como se Ele fosse um “garçon” (não menosprezando a profissão – apenas como exemplo), pronto a atender a qualquer pedido! É comum as expressões: “Ó Deus da minha filha, salva-me!”; “Deus da igreja A, B ou C, livra-me!”; “Deus que meu filho prega, cura-me!”
Enfim, o exemplo da Sunamita nos mostra, não só o lado financeiro, mas o carinho dela para com Deus! Ela era observadora, atenta, zelosa… Sempre que via o homem de Deus passar, o observava, buscava uma forma de auxiliar naquela Obra, de contribuir para a continuidade daquele trabalho, não queria ser indiferente ao que Deus lhe mostrava… Não, mil vezes não! Ela não podia deixar passar aquela, que talvez fosse sua única ou última oportunidade de receber ao Senhor em sua casa, por meio daquele Profeta!!!
Deus não quer que montemos quartos para seus discípulos, somente, mas quer ver seu respeito para com Ele! As igrejas estão cheias de pessoas que tem se comportado como aquela viúva, buscam a Deus com o intuito de terem seus problemas solucionados, com cobranças e apoiadas na fé alheia, mas a Sunamita não, ela foi diferente, agradou a Deus com o seu melhor, teve prazer (abnegação) em ofertar, e naturalmente. E não o fez só uma vez (“Eis que tu nos tens tratado com muita abnegação”), mas recepcionava aquele Profeta e seu servo, com alegria, sempre sem pedir nada em troca. Ela teve oportunidade de pedir algo em troca da sua oferta, quando questionada pelo Profeta, se colocou na posição de humilhação (“Habito no meio do meu povo”)! Mesmo sendo “rica”, sua felicidade não era completa. Deus revelou ao servo de Eliseu a necessidade daquela mulher… Seu marido já era velho e ela ainda não tinha filhos… O profeta a abençoou e o Senhor saciou o desejo mais secreto do coração dela: Deu-lhe o filho tão desejado!!!
Esta Sunamita é prova clara da materialização da promessa: “Que a sua felicidade esteja no SENHOR! Ele lhe dará o que o seu coração deseja. Ponha a sua vida nas mãos do SENHOR, confie nele, e ele o ajudará. Ele fará com que a sua honestidade seja como a luz e com que a justiça da sua causa brilhe como o sol do meio-dia.” (Salmos 37:4-6)
E você, com quem se identifica?

